A terra clama e ninguém ouve
- Jun 19
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A noite passou até divertida, mesmo com o perrengue de estarmos atolados e dormirmos ali, no meio da lama. Só pela manhã nos demos conta do que realmente estava acontecendo: o que achávamos ser a reforma de uma estrada era, na verdade, o início de mais uma devastação do Cerrado.
Árvores recém-cortadas e máquinas trabalhando transformaram a paisagem, revelando uma realidade para a qual muitas vezes escolhemos fechar os olhos. Um cenário de dor e um grito da Terra pedindo socorro.
Os trabalhadores locais, contratados para desmatar a própria região, nos contaram que toda aquela área, com mais de 500 hectares de mata nativa, havia sido comprada para a criação de gado.
Segundo dados do MapBiomas, a agropecuária é responsável por cerca de 99% da perda de vegetação nativa registrada no Brasil.
Estávamos no MATOPIBA (MA-ranhão, TO-cantins, PI-auí e BA-hia), principal fronteira agrícola do país e uma das regiões que mais concentram o desmatamento do Cerrado.
Conhecido como o berço das águas do Brasil, o Cerrado abriga nascentes que alimentam algumas das principais bacias hidrográficas da América do Sul. Sua destruição compromete o abastecimento de água, a produção de alimentos, a geração de energia, a biodiversidade e os modos de vida de comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e geraizeiras, afetando o equilíbrio climático e a segurança hídrica de grande parte do continente.
Observando esse cenário, concluo mais uma vez que a terra deixou de ser vista como fonte de vida e passou a ser tratada apenas como mercadoria.
Até quando o agro vai ser pop, movido por dinheiro e poder?
Precisamos repensar nossa relação com a terra. Agroecologia, agroflorestas, reflorestamento e consumo consciente mostram que é possível produzir sem destruir.
Não existe futuro em um planeta exausto.
Ainda há tempo?




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