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Território Fulni-ô, Águas Belas, Pernambuco, Brasil. Março de 2023

  • May 15
  • 2 min read

A jurema é uma árvore sagrada usada como medicina pelos povos indígenas do sertão brasileiro, região marcada pela seca e resistência de quem vive ali. 

Enquanto retirava cuidadosamente partes da casca da árvore, levando apenas o necessário, Txai nos contava a história de Jurema, a mulher que teria salvado sua tribo de uma enfermidade devastadora. Segundo a tradição, ela se perdeu na mata durante dias até ouvir vozes que a guiaram ao preparo da medicina. Ao retornar, trouxe consigo o remédio que curaria seu povo e foi recebida em celebração. Hoje, acredita-se que seu espírito vive na própria árvore. 

Em muitos rituais ao redor do mundo, pessoas misturam a jurema com outras medicinas naturais. Na aldeia, porém, essa prática não é bem vista. Para eles, cada medicina possui seu propósito. 

Depois da colheita, caminhamos entre a vegetação árida e espinhosa da caatinga e o chão duro de areia batida. Txai nos mostrou parte do preparo do chá, mas guardou os detalhes mais importantes, como um conhecimento ancestral transmitido por seu povo. O preparo da medicina pode levar muitas horas de cozimento, por isso utilizamos uma preparação feita anteriormente. 

O sol havia desaparecido e a noite começava a tomar conta do céu. Encontramos outros membros da tribo, já com suas vestimentas e pinturas corporais. 

Após uma longa caminhada, chegamos à beira do rio onde aconteceria o ritual. Montamos o acampamento e organizamos o altar. A fumaça do fogo começava a subir enquanto a dança se formava e o som das orações preenchia a noite. O céu estrelado brilhava acima de nós e a medicina começava a suavizar os sentidos. 

A experiência foi profunda, sensorial e silenciosa. Como um abraço materno no meio da escuridão do sertão.

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